
Padrões ordinais em obras de arte
As análises quantitativas das artes visuais têm se expandido com os avanços dos métodos computacionais e a crescente disponibilidade de grandes coleções digitais de obras de arte, que possibilitam estudos em larga escala sobre diferentes estilos e períodos históricos (Sigaki et al., 2018). Neste trabalho, analisamos aproximadamente 140 mil imagens digitais de obras de arte produzidas ao longo dos últimos mil anos, com enfoque nos padrões de ordenação das intensidades dos pixels em partições bidimensionais de tamanho 2 × 2. Para isso, estendemos a abordagem ordinal tradicional para considerar a presença de empates, que ocorrem quando dois ou mais pixels apresentam a mesma intensidade. A aplicação dessa abordagem permitiu identificar 75 padrões ordinais, posteriormente classificados em 11 tipos com base em propriedades de continuidade e simetria. Esses padrões constituem uma representação simples, interpretável e universal das estruturas locais de ordenação presentes nas imagens. Nossos resultados demonstram que os padrões ordinais contêm informações relevantes para a identificação de estilos de pintura, pois capturam aspectos importantes da organização espacial das obras. Essa abordagem permite comparar pinturas e estilos artísticos, além de revelar tendências temporais na evolução da arte, com mudanças mais expressivas observadas a partir da década de 1930 (Tarozo et al., 2025).
Sigaki, H. Y. D., Perc, M. e Ribeiro, H. V. (2018). History of art paintings through the lens of entropy and complexity. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 115(37). DOI: 10.1073/pnas.1800083115.
Tarozo, M. M., Pessa, A. A. B., Zunino, L., Rosso, O. A., Perc, M. e Ribeiro, H. V. (2025). Two-by-two ordinal patterns in art paintings. PNAS Nexus, 4(3), pgaf092. DOI: 10.1093/pnasnexus/pgaf092.